
Toda a gente conhece o ditado e o repete amiúde. Repetem-no como o
papagaio, pois não sabem o que significa, nem porquê, nem como isso é,
que a fé move montanhas.
Poucos sabem que o medo também move montanhas. O medo e a fé são uma
mesma força. O medo é negativo e a fé é positiva. O medo é a fé no mal.
Ou seja, a convicção de que vai acontecer o mau. A fé é a convicção de
que o que vai acontecer é bom, ou que vai acabar bem. O medo e a fé são
as duas caras da mesma moeda.
Repara: Tu nunca temes que te aconteça algo de bom. Nem nunca dizes
"tens fé em que te vai acontecer o mal". A fé é sempre associada a algo
que desejamos, e não creio que tu desejes algo de mau para ti! Tens medo
disto, não é?
Tudo o que temes atrais e acontece-te. E, quando te acontece, geralmente
dizes com um ar triunfante: "Pois, eu já sabia! Eu pressenti", e sais a
correr a contar e repetir, para dar lustre aos teus dotes de
clarividente.
E o que na realidade aconteceu, é que o pensaste com medo. Pressentiste?
Claro. Pressentiste. Tu mesmo o estás a dizer. E tu sabes que tudo o
que se pensa sentindo ao mesmo tempo uma emoção, é o que se manifesta ou
se atrai.
Tu mesmo o antecipaste e o esperaste. Antecipar e esperar é fé.
Agora repara, que tudo o que tu esperas com fé vem a ti, sucede-te.
Então, se sabes que isto é assim, o que te impede de usar a fé para tudo
o que desejas: amor, dinheiro, saúde, etc. etc? É uma lei natural. É
uma ordem divina.
Jesus Cristo ensinou-o com as seguintes palavras que tu conheces: "Tudo o
que pedirdes em oração e acreditando, o recebereis." Não fui eu que
inventei isto. Está no Capítulo nº 21, versículo 22 de São Mateus. E São
Marcos o expressa ainda mais claro: "Tudo o que pedirdes orando, crê
que o receberás e vos chegará".
São Paulo disse-o por palavras que não têm outra interpretação: "A fé é a
certeza daquilo que se espera, a convicção daquilo que se vê."
Mais acima disse-te que a fé é a convicção do bem.
Agora, digo-te que a convicção vem do conhecimento. Supúnhamos que tu
vives na província e que nunca foste à capital. Queres ir à capital,
apanhas o comboio, o autocarro ou o avião. Sabes onde fica a capital e
como te dirigires a ela. Um dia vais até à capital e utilizas a melhor
forma de lá chegares, mas pelo caminho não vais com medo dum desvio para
a lua, pois não? Se fosses um índio selvagem, poderias estar a tremer
de medo por desconhecer totalmente o que te estava a acontecer. Mas,
sendo uma pessoa civilizada, vais calmo, sabendo que a tal ou tal hora
chegarás à capital. O que é que te dá essa fé? O conhecimento.
A ignorância dos Princípios da Creação é o que faz com que o mundo tema o
mal, não saiba empregar a fé e nem sequer saiba o que ela é.
A fé é convicção, segurança; mas estas têm que estar baseadas no
conhecimento de algo. Sabes que existe a capital e vais até ela. Por
isso sabes que não irás parar à lua.
Agora sabes que quando desejas algo, se tens medo de não o obter, não o
obterás. Se o negas antes de o receber, como no exemplo já dado, da
oração que faz a Deus a generalidade da humanidade:" Meus Deus,
concede-me tal coisa, apesar de eu saber que não mo vais conceder porque
vais achar que não me convêm"... não o obterás porque o negaste de
antemão. Confessaste que não o esperas.
Deixa-me dar-te a fórmula metafísica para se obter qualquer coisa que se
deseje. É uma fórmula. Temos que a empregar para tudo. Comprova-a por
ti mesmo. Não acredites em mim cegamente."Eu desejo (tal coisa). Em
harmonia para todos e de acordo com a Vontade Divina. Sob a Graça e de
forma perfeita. Obrigado Pai que me ouviste."
Agora não duvides por um só instante. Empregaste a fórmula mágica.
Cumpriste com a lei completa e não tardarás em ver o teu desejo
manifestado. Tem paciência. Quanto mais tranquilo esperares, mais
depressa verás o resultado.
A impaciência, a tensão e o pôr-se a empurrar mentalmente, destroem o
tratamento (a fórmula é o que em Metafísica se chama "um tratamento").
Para que saibas o que fizeste ao repetir a fórmula, vou explicar-te o
processo detalhadamente. Ao dizeres "em harmonia para todos" eliminaste
todo o perigo de que a tua conveniência prejudicasse outros, não te
sendo possível desejar o mal a outros.
Ao dizeres "de acordo com a Vontade Divina", se o que tu desejas é menos
perfeito para ti, verás suceder algo muito melhor do que esperavas.
Neste caso, significa que o que estavas a querer não ias achar
suficiente, não iria resultar em tão bom quanto tu pensavas. A Vontade
de Deus é perfeita.
Ao dizeres "Sob a Graça e de maneira perfeita", é fechado um segredo
maravilhoso. Deixa-me dar-te um exemplo daquilo que acontece quando não
se sabe pedir sob a Graça e perfeição.
Uma senhora necessitava urgentemente de um montante em dinheiro, e
pediu-o para o dia 15 do mês. Tinha fé absoluta de que o receberia, mas o
seu egoísmo e indiferença não a inspirou para pedir considerando mais
qualquer coisa. No dia seguinte ao pedido, a sua filha foi acidentada
por um carro, e no dia 15 do mês ela recebeu a quantia exacta que tinha
pedido. Teve que pagá-la à Companhia de Seguros pelo acidente da filha.
Ela trabalhou a Lei contra ela mesma.
Pedir "sob a Graça e de maneira perfeita" é trabalhar com a lei
espiritual. A Lei de Deus que se manifesta sempre no plano espiritual.
Aí, no plano espiritual, tudo é perfeito, sem obstáculos, sem
inconvenientes, sem tropeços nem males para ninguém, sem lutas nem
esforços, "suavezinho, suavezinho", tudo com grande amor e essa é a
nossa Verdade. Essa é a Verdade que ao ser conhecida nos faz livres.
"Obrigado Pai que me ouviste" é a maior expressão de fé que podemos ter.
Jesus ensinou-a e empregava-a em tudo, desde antes de partir o pão com
que alimentou cinco mil pessoas, até para dizer como transformar o vinho
no seu sangue. Dando graças ao Pai antes de ver a manifestação.
Como irás vendo, tudo o que Jesus ensinou foi metafísico.
Tudo o que desejas, tudo aquilo de que fores necessitando, podes manifestar.
O Pai já previu tudo, já deu tudo, mas há que ir-lhe pedindo à medida
que se sinta a necessidade. Só tens que te lembrar que não podes pedir o
mal para outro porque te será devolvido, e tudo o que peças para ti
deves pedi-lo também para toda a humanidade, porque todos somos filhos
do mesmo Pai.
Por exemplo, pede grande. O Pai é muito rico e não gosta de mesquinhez.
Não digas " Ai, Deus Pai, dá-me uma casita. Só te peço uma casita, mesmo
que seja pequenina", quando na realidade tu necessitas duma casa muito
grande porque a tua família é numerosa. Não receberás senão aquilo que
pedes. Assim, pede:"Pai, dá-me a mim e a toda a humanidade todas as
maravilhas do teu Reino" e agora faz a tua lista.
Para ires fortalecendo a fé, faz uma lista de coisas que desejas ou que
necessitas. Enumera os objectos ou as coisas. Ao lado desta lista faz
outra, enumerando coisas que desejas ver desaparecer, ou em ti mesmo ou
externamente. No mesmo papel escreve a fórmula que já te dei acima.
Agora, lê o teu papel todas as noites. Não te permitas sentir a menor
dúvida. Dá de novo Graças, as vezes que penses no que escreveste. À
medida que vejas que se vão realizando as coisas enumeradas, vai
marcando-as. E no final, quando as vires todas realizadas não sejas mal
agradecido pensando: "Se calhar, acontecia na mesma", porque isso é
mentira. Se te deram foi porque as pediste corretamente. O exterior
organizou-se para te dar.
Como já estás muito habituado a sentir medo por uma variedade de razões,
cada vez que fores atacado por um medo, repete a fórmula seguinte, que
te irá apagando o reflexo que tens gravado no teu subconsciente: "Eu não
tenho medo. Não quero o medo. Deus é amor e em toda a Creação não há
nada que temer. Eu tenho fé. Quero sentir fé."Um grande Mestre dizia "a
única coisa que se deve temer é o medo".
Deves repetir esta fórmula mesmo que estejas a tremer de terror. Nesse
momento, com mais razão. Somente o desejo de não ter medo e o desejo de
ter fé, bastam para anular todos os efeitos do medo e para nos
posicionar no pólo positivo da fé.
Suponho que já conheces o princípio psicológico que diz que, quando se apaga um hábito há que substitui-lo por outro.
Cada vez que se nega ou expulsa uma ideia cristalizada no subconsciente,
ela é um pouco apagada. O pequeno vazio que assim se faz, tem que ser
preenchido imediatamente com uma ideia contrária. Senão, o vazio atrairá
ideias do mesmo tipo e que estão sempre suspensas na atmosfera,
pensadas por outros.
Pouco a pouco irás vendo que os teus medos desaparecem, se é que tens a
vontade de ser perseverante, repetindo a fórmula em todas as
circunstâncias que se vão apresentando.
Pouco a pouco irás notando que unicamente te acontecem as coisas como tu
querias. "Pelos seus frutos os conhecereis", disse Jesus.
Esta grande ferramenta - "o poder do decreto" atrai a nossa atenção na
extraordinária história da creação que encontramos nos primeiros
capítulos de Génesis na Bíblia. Sugiro que arranjes algum tempo para ler
este maravilhoso relato. Durante a leitura darás conta que o homem
(quero dizer tu e eu) não foi creado para ser a peça do jogo das
circunstâncias, a vitima das condições ou um malandro empurrado de um
lado para o outro por poderes fora do seu controle.
Em vez disto, vemos que o homem ocupa o pináculo da Creação, que longe
de ser o mais insignificante do Universo é, pela mesma natureza dos
poderes com o qual foi brindado pelo seu Creador, a suprema autoridade
designado por Deus para reger a terra e toda a coisa creada. O homem
está dotado dos mesmos poderes do Creador, porque é "feito à Sua imagem e
semelhança".
O homem é o instrumento pelo qual a sabedoria, o amor, a vida e o poder do Espírito Creador, se expressa em plenitude.
Deus situou o homem num Universo que responde e obedece (incluindo o seu
corpo, os seus assuntos, o seu ambiente) sem outra alternativa senão a
de levar a efeito os éditos ou decretos da sua suprema autoridade.
O poder de decretar é absoluto no homem; o domínio que Deus lhe deu,
irrevocável; e ainda que a natureza básica do Universo seja boa na
avaliação feita pelo Creador, pode aparecer perante o homem, somente
como ele decretou que apareça.
Vemos que, enquanto o homem foi obediente ao seu Creador, manteve o seu
poder de pensar e fazer decretos ao tom do espírito do Bem que é a
estrutura da Creação, viveu num universo de bem, num "Jardim de Éden".
Mas, quando o homem "caiu" ao comer da árvore do conhecimento do bem e
do mal, e elegeu basear-se no seu pensamento e usar os seus poderes no
bem e no mal - o que como indivíduos livres podiam fazer - imediatamente
encontrou suor e espinhos misturados com o pão de cada dia.
Desde a "caída", o homem atarefou-se a declarar o seu mundo bom ou mau, e
as experiências tornaram-se de acordo com os seus decretos. Isto
demonstra, evidentemente, como responde o Universo e quanto completo e
de grande alcance é o domínio e a autoridade do homem.
fonte: O Livrinho Azul de Conny Méndez